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CONSUMO CRESCE 1,7% EM AGOSTO, PUXADO POR
TÉRMICAS
Temor de um novo apagão faz governo acionar termelétricas
para poupar a água dos reservatórios. O consumo
brasileiro de gás natural cresceu 1,7% em agosto, para
42 milhões de metros cúbicos, em relação ao volume
registrado no mesmo período do ano passado, de acordo
com dados divulgados sexta-feira pela Associação
Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado
(Abegás). Na comparação com o mês anterior, houve um
acréscimo de 5%.
Segundo a Abegás, a comercialização no oitavo mês do ano
atingiu volume recorde para 2007 e ficou 3 milhões de
metros cúbicos acima da média registrada entre janeiro e
julho deste ano, de 38,8 milhões de metros cúbicos
diários. Os números da Abegás revelam que a demanda de
agosto foi puxada sobretudo pelo setor elétrico, em
função da maior utilização de termelétricas - essas
usinas consumiram 4,8 milhões de metros cúbicos de gás
por dia, um forte acréscimo de 45,4% em relação ao
volume verificado em julho, de 3,3 milhões de metros
cúbicos diários.
Com custos de operação bem superiores aos da
hidrelétricas, as térmicas só são acionadas,
normalmente, quando o País enfrenta problemas de falta
de chuva. Porém, essa teoria caiu por terra este ano
devido aos temores de que ocorra um novo apagão
energético no País, similar ao verificado em 2001.
Agora, o governo, por meio do Operador Nacional do
Sistema (ONS) - órgão responsável pelo setor elétrico -,
prefere despachar, com maior freqüência, usinas térmicas
e, assim, poupar a água dos reservatórios das centrais
hidrelétricas.
Além de elevar o custo da eletricidade, a opção por
térmicas prejudica o setor industrial, que já sofre com
a escassez de gás natural no mercado. Muitas empresas
que dependem do insumo, como a Companhia Vale do Rio
Doce, decidiram frear investimentos por não ter
garantias de que haverá gás para seus projetos. A
própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão
vinculado ao ministério de Minas e Energia, já admitiu o
déficit de gás no curto prazo (até o fim de 2008). Já a
Petrobras não esconde o desejo de ver o gás subir de
preço para que haja um desestímulo na demanda. Na última
semana, Maria das Graças Foster, diretora de gás e
energia da Petrobras, confirmou um reajuste em torno de
9% no gás boliviano e de 7% no produto nacional.
Além do setor elétrico, o consumo de gás foi puxado pelo
segmento automotivo. Nos últimos 12 meses, a demanda por
gás natural veicular avançou 9,69% e atingiu a marca de
7,1 milhões de metros cúbicos/dia, ou 17% do consumo
médio brasileiro.
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