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Petrobras adota nova tecnologia para obter gás
Apontada como uma área de grande potencial para a
exploração de gás natural, a Bacia do São Francisco,
localizada no noroeste de Minas Gerais, está merecendo
atenção especial da Petrobras. O presidente da estatal,
José Sérgio Gabrielli, informou ontem em Belo Horizonte
que a companhia utilizará novas tecnologias de sísmica
(duas dimensões) para avaliar se a bacia pode ser
produtora comercial de gás natural.
A tecnologia de testes sísmicos que será adotada pela
empresa deve diminuir o risco exploratório da área. "As
perfurações vão ser iniciadas em 2009. Antes, vamos
tentar precisar as áreas com maior potencial de
exploração", explicou Gabrielli.
Especialistas estimam que o potencial das reservas da
Bacia do São Francisco é de 1 trilhão de metros cúbicos
de gás natural.
Trata-se, portanto, de um trabalho de importância
estratégica para a Petrobras. O crescimento do consumo
de gás nos últimos dois anos ficou próximo a 20% ao ano,
enquanto o ritmo de ampliação da oferta está em 11% ao
ano.
Segundo as projeções da Petrobras, a demanda e a oferta
de gás natural deverão coincidir em 99 milhões de metros
cúbicos por dia em 2010. A empresa, diante do aumento da
demanda por gás natural no País, investirá US$ 18,2
bilhões para desenvolver a cadeia brasileira do gás
natural, que inclui as áreas de exploração e produção,
de abastecimento e internacional.
Este montante, somado ao US$ 1 bilhão proveniente de
parceiros, resulta no investimento total de US$ 19,2
bilhões. A área de gás e energia investirá, até 2012,
US$ 6,4 bilhões, dos quais US$ 4,5 bilhões serão
destinados à ampliação da malha de gasodutos e à
construção de terminais de regaseificação de gás natural
liquefeito (GNL).
A diferença será aplicada em desenvolvimento energético
(biodiesel, energia eólica e outras fontes alternativas)
e energia elétrica (construção e conversão de
termoelétricas).
A produção de gás natural, excluindo o liqüefeito, tem
crescido a cada ano, mas mesmo assim o produto é
insuficiente para atender à demanda. Em 2002 foram
produzidos 43,94 milhões de metros cúbicos diários,
média que subiu para 61,15 milhões no ano passado e este
ano, até agosto, foi a 62,122 metros cúbicos diários,
segundo dados da Petrobras.
A etapa inicial do projeto para exploração da Bacia do
São Francisco receberá US$ 50 milhões em investimentos
da Petrobras nos próximos dois anos.
Os estudos para dimensionar a viabilidade da exploração
comercial do produto na região, que devem começar no
próximo mês, vão consumir US$ 30 milhões. Mais U$ 20
milhões serão aplicados no processo de perfuração de
dois poços.
Bilhões à vista
Segundo Gabrielli, diante do montante de US$ 19,2
bilhões previsto no plano global da empresa para a
cadeia do gás, os R$ 50 milhões parecem insuficientes
para ativar o processo de exploração na Bacia do São
Francisco. Caso a região, porém, comprove seu potencial
para a exploração comercial, os investimentos podem
chegar a bilhões.
"É um investimento inicial, mais para a questão de
prospecção. Agora, a partir dos resultados iniciais,
esses investimentos poderão ser ampliados
consideravelmente", garante.
Apesar de ter garantido o início das operações na Bacia
do São Francisco, por outro lado o executivo colocou um
freio nas expectativas em relação à implantação do
Complexo Acrílico de Ibirité, localizado na região
metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), próximo à
Refinaria Gabriel Passos (Regap).
Plano adiado
A Petrobras, viabilizadora do projeto orçado em cerca de
R$ 1,3 bilhão, pretendia iniciar a produção em 2009.
Devido à falta de tecnologia para iniciar a operação,
porém, o projeto foi adiado por tempo indeterminado.
"Nós ainda não temos a tecnologia para produzir a SAP
[sílica propilamina]. Alguns países detêm essa
tecnologia. Então, vamos buscar uma negociação",
completa Gabrielli, ao comentar o adiamento do plano.
A construção do complexo foi anunciada em julho de 2005
pelo então presidente da Petrobras, Eduardo Dutra. A
expectativa, divulgada inicialmente, era de que as obras
do pólo químico fossem iniciadas em 2006 e concluídas em
2009.
No entanto, o projeto foi para a gaveta e só voltou à
tona com a sua inclusão no Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC).
Os primeiros estudos apontaram capacidade anual de
produção de 160 mil toneladas de ácido acrílico, 100 mil
toneladas de ácido acrílico glacial, 110 toneladas de
SAP e 95 mil toneladas de acrilato, a partir de 105 mil
toneladas de propeno da Regap.
Esses produtos são utilizados como matéria-prima para a
fabricação de diferentes tipos de resinas aplicadas, por
exemplo, em tintas, papel, cera, revestimentos e
produtos higiênicos. A produção atenderia os mercados do
Sudeste do Brasil e países do Mercosul. A estimativa é
de que o empreendimento atinja uma receita anual de US$
220 milhões.
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